| Última atualização em 08/10/2011 às 09:18

O Assédio Moral Digital

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Por Adm. Paulo Carvalho

Como lidar e evitar o assédio com o uso das novas tecnologias no ambiente corporativo.

Que as conversas instantâneas por chats, encontrar possíveis clientes nas redes sociais, enviar por e-mails feedbacks aos colaboradores são coisas que a internet trouxe de positivo e que ajuda na agilidade da comunicação, isso não resta dúvidas. Porém, seu uso indiscriminado pode abrir espaços para abusos, como excesso de intimidade nas conversas, uso de palavras agressivas ou visitas a sites inadequados. Segundo a última pesquisa do Centro de Estudos sobre Tecnologia da Informação e da Comunicação, 93% das empresas brasileiras usam a rede. Mas é preciso cuidado e disciplina. O fato de não utilizar de forma correta as ferramentas e ambientes, trouxeram ultimamente várias consequências indesejadas. Essas atitudes podem fazer com que a empresa seja alvo de um processo por assédio moral digital. O conceito na verdade é novo: uma ação que é repetitiva e prolongada, dentro do ambiente eletrônico, capaz de expor a vítima a situações constrangedoras. Trata-se de uma vertente do conceito de assédio moral, continuando no mesmo raciocínio e entrando na esfera do assédio on-line, onde o colaborador pode se sentir amedrontado e envergonhado, ou seja, gera no individuo problemas psicológicos capazes de afetar a sua vida pessoal e profissional. Nestes casos, é essencial definir uma cartilha sobre a política ideal de uso da web na empresa para evitar complicações no futuro.

Atualmente é possível termos uma interface virtual que simula um ambiente de trabalho, ou seja, algo mais avançado que as simples intranets, portais, fóruns e etc. É possível hoje trabalhar de forma remota dentro de ambientes interativos com padrões, aplicativos, software e demais ferramentas que transformam o empregado ao ambiente funcional e cultural da empresa. Detalhe é que não estamos falando de filme de ficção cientifica ou algo do gênero. Estamos falando de algo real que já é utilizado por muitas empresas no Brasil e no mundo. Esse avanço pode ser visto atualmente em circunstância do avanço da comunicação móvel, a variedade de dispositivos portáteis para comunicação e pela popularização da conectividade 3g, faz com que relatórios sejam aprovados por sistemas; projetos sejam criados com documentos colaborativos; reuniões sejam realizadas por videoconferência; discussões nascem e se modificam nas mídias sociais criadas ou não para esse propósito.

Antes de focar no assédio digital, é importante entender que cada vez é necessário ter em mente que as formas mudaram, mas os conceitos e limites se mantêm, e atenção deve se ter ás práticas de assédio moral, que por vezes são tratadas com certo desprezo quando o assunto é internet.

É importante entender que assédio moral é classificado como toda ação ou omissão ocorrida de forma repetitiva, que tem por objetivo atingir o patrimônio do empregado. Vale salientar o tempo repetição, pois são as atitudes repetitivas e constantes que diferenciam a modalidade do dado moral, que é a atitude isolada de determinada ação ou omissão causada de um dano psíquico.

Segundo o site www.assediomoral.net Assédio moral é:

O assédio moral é revelado por atos e comportamentos agressivos que visam, sobretudo a desqualificação e desmoralização profissional e a desestabilização emocional e moral dos(s) assediado(s), tornando o ambiente de trabalho desagradável, insuportável e hostil, ensejando em muitos casos o pedido de demissão do empregado, que se sente aprisionado a uma situação desesperadora, e que muitas vezes lhe desencadeia problemas de saúde de ordem orgânica e psíquica.

Focando para o assédio moral digital esse conceito não muda muito, pois não são mais raros as práticas de assédio moral digital em ambientes virtuais. Muitas dessas práticas são impulsionadas pelas condições e formas em que o trabalho é desempenhado ao fato em que sem a exposição ou indisposição presencial física entre os envolvidos, alguns gestores se apresentam de forma muito mais agressiva ao lidar com seus colaboradores, revestindo-se por um monitor ou smartphone.

Se toda essa tecnologia nos ajuda, mesmo distantes fazemos as atividades com qualidade e agilidade é possível também perceber as condutas nocivas, as quais são transportadas conjuntamente aos benefícios da tecnológica. O mundo evoluiu e com ele também o trabalho segue essa evolução, mas antigos problemas ainda persistem em sua essência principal e apenas são refletidos no mundo virtual.

É extremamente importante neste momento você entender como seria uma simulação de assédio moral virtual colocado de uma forma prática e real: Vamos considerar um colaborador que não foi convidado para participar de uma rede de relacionamento da empresa, após insistir, tem o seu cadastro aceito. Na apresentação de suas ideias e questionamentos dentro do ambiente virtual, constantemente suas sugestões não são consideradas, seus tópicos não são comentados, não possui views, suas ideias são utilizadas sem qualquer menção, não há respostas sobre mensagens enviadas e não há sequer um feedback do gestor sobre tal ocasião. É neste caso que evidencia um caso típico de assédio moral virtual recriado do ambiente de trabalho tradicional, na medida em que o isolamento do funcionário que antes se dava diminuindo suas tarefas e prejudicando sua influencia na instituição ou aderindo-se ao isolamento físico – hoje encontra similaridade no mundo virtual. É óbvio que existem relatos de casos muito mais fortes que evidenciam ainda mais o assédio, mas com essa explanação pode esclarecer através de um exemplo, um fato comum nas empresas que utilizam esse ambiente virtual em suas empresas.

Existem conforme informado acima, casos onde o assediador age de maneira direta, com feedbacks corretivos em e-mails coletivos ou em redes sociais internas, de modo que exponha o empregado a situações constrangedoras.

Irei relatar agora alguns cuidados que devem ser tomados na gestão de pessoas no uso de tais ferramentas e ambientes:

Evite excluir ou isolar empregados em ambientes virtuais: Procure sempre, quando necessário, fornecer opiniões sobre como ele poderá melhorar sua performance. As ferramentas de comunicação (Msn, skype, IM, icq, etc…) possuem vários opcionais. Se não pode falar com o seu colaborador naquele momento, diga, ou mantenha um aviso. Há casos de bloqueio do usuário ao mesmo tempo em que o gestor conversa com o colega da mesa ao lado. Evite a situação de “ele só aparece offline para mim”; ou “é só eu enviar um bom dia que ele desconecta”;

Bronca on-line: Nunca realize feedbacks ou críticas abertamente em ambientes virtuais, pois isso pode gerar constrangimento e humilhação. Isso acontece porque, nesse tipo de comunicação, qualquer tipo de contato visual ou auditivo é perdido, o que facilita má compreensão da mensagem. Todo o feedback deve ser feito pessoalmente, caso isso não seja possível é preciso criar com cuidado um texto, abordando o problema de maneira clara e objetiva.

Excesso de informalidade nos e-mails profissionais: É por definir a linguagem que deve ser usada nesse canal e o seu controle é essencial, pois ajuda a afastar problemas. Evite escrever com caixa alta, negrito, cores berrantes, abreviações ou emotions. Lembre sempre que o e-mail é uma carta formal e por isso devem-se evitar determinadas informações utilizadas no dia a dia de forma informal. Tais atitudes nos e-mails podem descrever irritabilidade e transformar todo o sentido de uma simples frase em algo prejudicial para o clima organizacional.

Sobre ideias no ambiente virtual de trabalho: Surgindo, forneça os créditos corretamente, fuja do conceito de colaboração total entre os envolvidos. Incentive a colaboração sem deixar de premiar individualmente seus idealizadores;

Evite sobrecarga de trabalho on-line: E-mails, SMS, scraps e invites (convidar) não fogem à regra do horário de trabalho. Mesmo com os smartphones, procure direcionar tarefas apenas dentro da jornada de trabalho. Muitos gestores, por não visualizarem a mesa do empregado, perdem o sentido da sobrecarga de tarefa.

Uso e Intimidade nas redes sociais: Seja prudente no uso e assuma o risco de ter um de seus colaboradores em suas redes sociais, é um exercício diário não misturar os ambientes. A utilização de redes sociais no ambiente corporativo deve ser permitida apenas quando a plataforma for necessária para a execução das atividades. “Sites como Twitter, Orkut e Facebook incentivam intimidades no local de trabalho que podem abrir espaços para o assédio moral, ou seja, todo o cuidado é pouco para manter uma relação nas redes sociais com seus colaboradores, porém agindo com os mesmos princípios do ambiente empresarial.

Não visite sites pornográficos: O uso inadequado no ambiente profissional é uma falta bastante corriqueira, porém fatal. Por isso é necessário criar uma cartilha definindo as regras de navegação pelas plataformas digitais. É necessário estabelecer endereços que podem ser acessados e como será a utilização de redes sociais, e-mails e mensagens instantâneas. Essa estratégia da cartilha ajuda ao colaborador saber que a internet nada mais é do que uma ferramenta de trabalho.

Falta de Comunicação: Diante da intimidação, o colaborador pode não saber a quem recorrer. É fundamental que seja estabelecido um canal de comunicação direta com o Conselho de Ética, no qual os funcionários possam relatar seus problemas, sem medo de retaliações. Sei que muitas empresas não possuem esse conselho, nestes casos é importante ter um superior responsável pelo setor para que possa informa-lo dos problemas e certificar que ele está encontrando uma solução. Nestes casos da ausência de um comitê e importante que esse responsável tenha a mesma postura, ou seja, mantenha as denuncias em sigilo e mostre aos empregados os benefícios desse canal.

Internet sem Regras: Deixe claro aos colaboradores que será criado um Conselho de Ética, que ira decidir como e quando podem consultar o espaço eletrônico. O grupo deve ser formado por representante do setor executivo, de recursos humanos e da área jurídica. Esse comité deverá fazer o monitoramento do ambiente digital e solucionar possíveis problemas.

É necessário entender que as brincadeiras podem se transformar em assédio moral no trabalho quando forem realizadas como o objetivo de prejudicar o colaborador. Para tanto, estas brincadeiras precisam apresentar as seguintes características: repetição sistemática (a pessoa sempre diz a mesa coisa), intenção de forçar o outro a abrir mão do emprego, direcionalidade (quando uma pessoa do grupo é escolhida arbitrariamente para levar sozinha a culpa de um evento negativo), periodicidade é a degradação deliberada das condições de trabalho. Porém entender, de fato, quando isso está acontecendo não é uma tarefa tão simples e, em alguns casos, até mesmo quem aplica o assédio moral digital pode não perceber o quanto está prejudicando a outra pessoa. Por isso, todo o cuidado é pouco, independentemente da tecnologia, sendo necessário que se separe o ambiente de trabalho da vida particular, principalmente em redes sociais, onde existe extrema exposição de pensamentos e qualquer pessoa tem acesso a essas informações.

O combate à humilhação depende também da informação, colaboração, organização e mobilização dos colaboradores. Um ambiente de trabalho perfeito é uma conquista diária possível na medida em que haja total vigilância e objetivando sempre as condições dignas de trabalho, baseadas em princípios antigos, onde a criatividade e a colaboração e mutua. As novas tecnologias estão a todo o momento surgindo e por isso é extremamente importante está “antenado” com esse assunto para que ele não vire assunto da empresa no futuro.

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